Nunca fiquei tanto tempo sem atualizar o blog. Mas foi por um motivo justo, dessa vez tirei férias. Mas férias mesmo, 15 dias longe, sem celular e imersa em paisagens de perder o fôlego. Fui conhecer a região do lago Titicaca, o lago navegável mais alto do mundo.
Só errei em não levar o binóculo. Foi uma decisão pensada, queria o menor peso possível na mochila, mas o fato é que me arrependi. Passei muito tempo viajando de ônibus, pendurada na janelinha admirando tudo. E não é que, apesar do inverno frio e do ar extremamente seco, haviam tantas aves me esperando lá?
A primeira grande surpresa foi durante uma visita às ruínas de Sillustani (foto acima), próximas à cidade de Puno, no Peru. Entediada com a explicação do guia (não suporto visitas guiadas - pena não ter outra opção viável por lá) fui me afastando do grupo. Até observar lá longe uma pombinha. Pensei que era uma pomba-amargosa, mas ao chegar perto me deparei com uma "Paloma cascabelita" (
Metriopelia ceciliae - foto abaixo). Lembra muito nossa
Fogo-Pagou, inclusive no barulhinho que faz ao voar, mas tem essa área laranja bem destacada ao redor dos olhos.
Em relação a quantidade, posso dizer que o que mais observei foram
gansos andinos (
Chloephaga melanoptera), que se agrupavam às dezenas nas margens do Titicaca e nas lagoas próximas. Também vi muitos
Ibis de la Puna (
Plegadis ridgwayi), uma espécie de versão pequena e preta da nossa Curicaca. Triste foi reparar que estes últimos eram muito comuns nos arredores poluídos de La Paz - Bolívia - junto com um grande número de gaivotas.
Nas áreas mais urbanas o que não faltaram foram tico-ticos. Sabiás-chiguanco (
Turdus chiguanco - foto ao lado) faziam a festa em parques e praças mais arborizadas, e eventualmente aparecia uma
"Paraulata Morera" (
Turdus fuscater - outro sabiá) no meio da bagunça.
Perto de Arequipa, no Peru, fiz um trekking de 2 dias para atravessar o
Cañón del Colca, que, segundo os peruanos, seria o canion mais profundo do mundo (diga adeus aos seus joelhos, seja qual for sua idade). Deu para ver o famoso
Condor-dos-Andes (
Vultur Gryphus) lá longe, no céu. Mas a maior parte da caminhada só revelou tico-ticos (sim, a mais de 4.000 metros!). A surpresa estava me esperando lá em baixo, um "Picogordo Amarillo" (
Pheucticus chrysogaster - foto abaixo). Claro, ao lado de um tico-tico.
E nem só de observar aves vive esta bióloga. Flores, principalmente de cactos, foram mil. E aprendi uma curiosidade lá no canion: cochonilhas que vivem sobre folhas de um cacto e são utilizadas para extrair um pigmento vermelho-sangue para tingir tecidos (foto abaixo).
Agora... e os mamíferos? Essa parte foi meio fraca mesmo. Ao atravessar de ônibus uma área protegida próxima a Arequipa, pude observar centenas de vicunhas em vida livre. Lhamas e alpacas só as de criação mesmo. Mas, no último dia, passeando pelo
Vale da Lua, o guia apontou uma "viscacha" camuflada no meio das rochas (foto abaixo). Sim! Desta vez o guia serviu para alguma coisa, afinal eu não teria encontrado ela naquele labirinto de pedras...