O pessoal do lab onde eu trabalho está num frenesi total com as tais das fazendinhas virtuais. Essa mania não me pegou, mas me fez lembrar um antigo vício. Não sou muito fã de jogos de computador, mas confesso que um - só um - sempre me causou problemas: SimCity. Não é nenhuma novidade (a última versão saiu em 2004), mas é só instalar o software e eu esqueço da vida.
Passo horas tentando criar minhas cidades perfeitas: arborizadas, com fontes de energia limpas e renováveis, educação de qualidade, segurança... Eu disse que TENTO, né? Porque se não é fácil na vida real, o jogo não deixa por menos.
Adoro a seção com as opções de áreas verdes para a cidade virtual: jardins, playgrounds, praças, hortas comunitárias, parques... Mas a manutenção mensal de tudo isso gera um custo a mais para a prefeitura. Energias limpas são caras. Só compensam quando sua cidade simulada tem uma população digna de uma capital. Ou quando várias cidades vizinhas estão dispostas a comprar seus megawatts. E já viu cidade que não produz lixo? Como prefeito você pode até instalar centros de reciclagem e criar leis que incentivem a redução do lixo, mas ele sempre vai aumentar. Para ter uma idéia, todos os itens da sua cidade virtual podem ser demolidos com um simples clique do mouse... menos os lixões! Quer coisa mais real que isto?
Outro exemplo: a evolução das cidades simuladas, assim como nas cidades reais, depende também do terreno sobre o qual são fundadas. Assim, ambientes muito montanhosos dificultam o desenvolvimento da agricultura, cidades litorâneas podem aumentar seus negócios com a criação de um porto, o turismo é facilitado quando já existem cidades vizinhas próximas (e, claro, estradas que as conectem).
Mas o mais bacana do jogo é perceber a dinâmica de uma cidade, a dificuldade de equilibrar ganhos e custos, a dificuldade ainda maior de substituir indústrias comuns por indústrias que gerem menos poluição e exijam mão de obra mais especializada (sim, número e tipo de empregos também são um quesito importante do jogo).
Poxa! Essa pode ser uma ótima ferramenta para professores! Imaginem as discussões que podem ser geradas ao comparar os problemas e as soluções das cidades criadas pelos alunos? Ou mesmo a simples noção de como uma cidade altera o ambiente natural, definitivamente? Os gráficos são tão bonitos que às vezes dá dó de destruir uma linda floresta virtual só para começar uma cidadezinha.
Pensando bem, acho que tem muito prefeito de verdade precisando conhecer esse jogo...
Em tempo: é claro que eu não fui a única a perceber o potencial pedagógico do jogo. Veja aqui um artigo do Journal of Geography e aqui um do Journal of planning education and research.










