01 Fevereiro, 2010

Uma aula de planejamento urbano


O pessoal do lab onde eu trabalho está num frenesi total com as tais das fazendinhas virtuais. Essa mania não me pegou, mas me fez lembrar um antigo vício. Não sou muito fã de jogos de computador, mas confesso que um - só um - sempre me causou problemas: SimCity. Não é nenhuma novidade (a última versão saiu em 2004), mas é só instalar o software e eu esqueço da vida.

Passo horas tentando criar minhas cidades perfeitas: arborizadas, com fontes de energia limpas e renováveis, educação de qualidade, segurança... Eu disse que TENTO, né? Porque se não é fácil na vida real, o jogo não deixa por menos.

Adoro a seção com as opções de áreas verdes para a cidade virtual: jardins, playgrounds, praças, hortas comunitárias, parques... Mas a manutenção mensal de tudo isso gera um custo a mais para a prefeitura. Energias limpas são caras. Só compensam quando sua cidade simulada tem uma população digna de uma capital. Ou quando várias cidades vizinhas estão dispostas a comprar seus megawatts. E já viu cidade que não produz lixo? Como prefeito você pode até instalar centros de reciclagem e criar leis que incentivem a redução do lixo, mas ele sempre vai aumentar. Para ter uma idéia, todos os itens da sua cidade virtual podem ser demolidos com um simples clique do mouse... menos os lixões! Quer coisa mais real que isto?


Outro exemplo: a evolução das cidades simuladas, assim como nas cidades reais, depende também do terreno sobre o qual são fundadas. Assim, ambientes muito montanhosos dificultam o desenvolvimento da agricultura, cidades litorâneas podem aumentar seus negócios com a criação de um porto, o turismo é facilitado quando já existem cidades vizinhas próximas (e, claro, estradas que as conectem).

Mas o mais bacana do jogo é perceber a dinâmica de uma cidade, a dificuldade de equilibrar ganhos e custos, a dificuldade ainda maior de substituir indústrias comuns por indústrias que gerem menos poluição e exijam mão de obra mais especializada (sim, número e tipo de empregos também são um quesito importante do jogo).


Poxa! Essa pode ser uma ótima ferramenta para professores! Imaginem as discussões que podem ser geradas ao comparar os problemas e as soluções das cidades criadas pelos alunos? Ou mesmo a simples noção de como uma cidade altera o ambiente natural, definitivamente? Os gráficos são tão bonitos que às vezes dá dó de destruir uma linda floresta virtual só para começar uma cidadezinha.
Pensando bem, acho que tem muito prefeito de verdade precisando conhecer esse jogo...

Em tempo: é claro que eu não fui a única a perceber o potencial pedagógico do jogo. Veja aqui um artigo do Journal of Geography e aqui um do Journal of planning education and research.

27 Janeiro, 2010

Aves Brasileiras XIX: Coleirinho






Coleirinho (Sporophila caerulescens)
Nem precisa explicar o motivo do nome, né? Mas é só o macho que tem esse padrão de plumagem. A fêmea - como em muitas outras espécies de aves - é totalmente parda. Aliás, não é lá muito fácil diferenciar as fêmeas das espécies de papa-capim (família Emberezidae), são todas muito parecidas.
Coleirinhos são muito comuns, quem nunca viu um se equilibrando na ponta de uma folha de capim? A dieta é baseada em sementes. Uma coisa curiosa que já observei foi a técnica que utilizam para retirar as sementes de alguns pequenos frutos do cerrado. Eles só comem as sementes, ignorando o resto do fruto.

Áudio por: xeno-canto.org/

23 Janeiro, 2010

Zoo de Buenos Aires


No último post falei sobre o Museu de Ciências Naturais de La Plata, e então lembrei de mais um lugar interessante para se visitar na Argentina: o Zoológico de Buenos Aires! Lembro que fui até lá com uma espectativa bem baixa. Na época estava fazendo estágio em um zoológico na cidade de Santa Fe e as condições lá não eram lá grande coisa. Mas o Zoo de Buenos Aires foi uma grande surpresa!


Logo na entrada você pode comprar um pacote de ração especialmente desenvolvida para alimentar os animais. Sim! Lá você pode dar comida para os bichinhos, e não vai causar nenhum mal para eles.


Mesmo assim, várias placas explicam a importância de não dar outros alimentos (balas, salgadinhos, chicletes, etc) que podem ser prejudiciais a eles. E o zoo todo foi pensado nesta possibilidade de interação com os animais: os recintos daqueles que não são perigosos possuem aberturas que permitem oferecer alimento, sem riscos para os animais e nem para nós.

Lá dá para observar exemplares da fauna mundial. Só fiquei chateada que justo no dia em que eu fui estavam lavando o recindo dos ursos polares, e assim não deu para vê-los! Há também algumas alas que tentam recriar algumas vegetações características, como a da Amazônia.

Outro atrativo é a pequena fazendinha montada lá dentro. Vacas, cavalos, ovelhas, patinhos e galinhas fazem a festa da criançada. Se não me angano dá para pegar uma visitação monitorada explicando o funcionamento de uma fazenda nesta parte do zoo... mas não lembro bem...


Um show a parte (e pago a parte também) são os leões marinhos treinados. Vale a pena assistir! Aliás, o Zoo de São Paulo também começou a fazer isso. Acho uma alternativa legal, porque faz os animais se movimentarem bastante, diminuindo por exemplo a obesidade. Isso sem contar que um animal treinado não tem tanto medo dos humanos, facilitando bastante os trabalhos de limpeza dos recintos e alimentação, sem stress nem para eles nem para o pessoal que trabalha no zoo.



Embora a área total do zoo não seja tão grande, tem muitos atrativos, como uma imensa coleção de insetos. Achei até uma linda borboleta do nepal lá no meio!
Gostou? Visite também o site do zoo, é muito bem feito!

21 Janeiro, 2010

Museo de Ciencias Naturales de La Plata

A @danielalima1000 perguntou sobre coisas legais para conhecer em Buenos Aires, e lembrei do Museu de Ciências Naturais de La Plata. Esse museu é imenso, e dá de 10 a zero na maioria dos museus do tipo de que já tive a oportunidade de visitar.
Só as alas de zoologia e paleontologia já valem a visita, mas lá há também uma interessantíssima ala de antropologia latino americana, com direito a muita cerâmica antiga e múmias muito bem preservadas.
La Plata é uma pequena cidade próxima a Buenos Aires (capital da Argentina) e é a capital da província também chamada Buenos Aires. Para chegar lá fui de trem, e foi bem bacana porque o passeio não tinha nada de turístico, o trem é de terceira classe mesmo,  e assim dá pra ter uma idéia de como é a vida real dos portenhos (muito diferente da Buenos Aires turística de La Boca, Puerto Madero e Recoleta).

O forte do museu são os esqueletos de animais mais agigantados... Há uma sala com ossadas completas de baleias, golfinhos, elefantes, rinocerontes e por aí vaí. O "pequenino" aí em baixo é um gliptodonte, que vivia no quaternário, e tinha literalmente o tamanho de um fusca.

A próxima foto é do esqueleto de um imenso dinossauro (não pergunte qual, não lembro!) Para ter uma idéia do tamanho do bicho, essa aí tentando alcançar o crânio sou eu! E olha que eu sou bem alta!


O museu pertence à Universidad Nacional de La Plata, e mais informações sobre ele podem ser encontradas aqui.

17 Dezembro, 2009

Livro - A grande história da evolução

A Grande História da Evolução - na trilha de nossos ancestrais
(Richard Dawkins)



Quando leio Dawkins, a sensação é parecida com a que tinha quando era pequena e folheava aqueles coloridos livros de gravuras sobre animais que forravam a estante do meu avô. Ficava - e ainda fico -  maravilhada, pensando em quanta coisa incrível há por aí para ser descoberta.
A Grande História da Evolução segue a mesma linha de outros livros do autor, como O Relojoeiro Cego, A Escalada do Monte Improvável e O Capelão do Diabo. É um grande apanhado de fatos interessantes sobre a natureza, mas muito bem amarrados. Para falar a verdade, achei que neste último livro essa "amarração" foi excepcional. Dawkins, "simplesmente", contou a história da evolução começando nos dias de hoje, partindo de nós, humanos, e chegou até o ancestral comum. Ao longo desta trajetória, fala de genética, de fisiologia e de ecologia. Para isso, elege alguns "personagens-chave" que merecem seus próprios contos.
Tentei escolher um único conto para detalhar aqui, mas essa me parece uma tarefa impossível. Posso dizer que gostei muito do conto do ornitorrinco, do conto do pavão e do conto do ciclídeo. E o que me trouxe maior surpresa foi um dos últimos, o conto do Mixotricha, sobre o qual praticamente nada sabia.
Mas fica uma advertência. Ao contrário de outros livros dele, A Grande História da Evolução é um bocado mais difícil de ler. Não recomendaria para quem não tiver um tiquinho de conhecimento sobre genética e evolução. Porque o livro é denso. Daqueles livros que não ficam parados na estante, porque vale a pena ler e reler vários trechos.
Boa leitura!